sexta-feira, 4 de novembro de 2016

UM MORADOR DE RUA CHAMADO "SEO" JOEL - A HISTÓRIA DE UMA RESISTÊNCIA


Foto:Edilene Lopes

A vida é generosa. Tão generosa que incessantemente se apresenta para nós de forma gritante, nos chama, nos solicita, nos impele, nos provoca. A vida nos quer em projeção incessante, nessa eterna construção que somos. Muitas vezes desatentos, é verdade que também somos, e até distantes de nós mesmos, de sentimentos e coisas que contam, mas nada que não se possa corrigir. A vida nunca nega outra oportunidade.

E se o todo sem parte não é todo, como não somos sem o coletivo e vice-versa, que não nos limitemos ao aparente e construamos o infinito. E construir o infinito (que é o desenvolvimento de nosso sentimento) é saber escolher com cuidado nossas atitudes cotidianas, elas definem nossas travas - que travam muito além de nós - ou a construção da liberdade. 

E sem o outro, ou sem nossa disposição para “ver” o outro, isso é impossível. Daí, quando buscamos andar despojados de limitações que nos foram impostas, de um estilo de vida que nos reduz o sentimento e faz sucumbir, e que comumente reproduzimos em nosso cotidiano, essa matéria vida nos abre possibilidades e possibilidades e possibilidades, e todos os encontros possíveis. A redução, ou brutalização, do sentimento é a redução da vida, o caos do não amor.

Sou um tanto desastrado, mas tenho tentado isso, esses encontros. E saibam que num desses passes encontrei uma fábula: “seo” Joel, ‘nascido no oito de dezembro de 1916’, como ele diz, 'debaixo do viaduto Santa Tereza, em Belo Horizonte', morador de rua de uma vida inteira, em qualquer sentido, 99 anos. (PS - Na verdade seu nascimento deve ter ocorrido na região do viaduto, já que este foi construído em 1929)



“Sou pagão, nunca fui batizado e morei lá com minha mãe até nove anos. Aí ela morreu de uma picada de um escorpião, eu tinha nove anos. Meu pai morreu antes ‘d’eu’ nascer, de pneumonia por causa da friagem de rua. Uma dona que era amiga de minha mãe que morava lá também cuidou de mim”.

“Seo” Joel conta que quando tinha 18 anos ‘juntou’ com uma mulher que tinha mais de 40 anos, também moradora de rua, e que teve com ela duas filhas gêmeas. “Um ano depois ela foi embora com outro homem e nunca mais vi minhas filhas”. Disse que elas também não foram batizadas. (Depois corrigiu: teve uma filha que lhe deu duas netas. A mãe delas é quem foi embora com as crianças e estão em São Paulo, como relatou.)

(PS - Ele não gosta de falar sobre o tema, que lhe trás sofrimento, mas em outra ocasião fez nova correção: contou que quando tinha 18 anos ‘juntou’ com essa mulher que tinha mais de 40 anos, também moradora de rua, que lhe deu uma filha e que um ano depois ela foi embora com outro homem para São Paulo e nunca mais viu a criança, que também não foi batizada”. Acrescentou que por volta dos 25 anos teve mais uma filha que lhe deu duas netas. A mãe também foi embora com as crianças, uma com 8 anos e outra com 9 anos, e estão em São Paulo, como relatou.)

O registro civil dele só foi obtido recentemente, no dia 30 de agosto de 2016. Até então, como ele fala, “não era ninguém, não podia conseguir nada”. E continua: ”Quando eu tinha 7, 8 anos entregava jornal igual os “pequenos jornaleiros” (http://www.fdv.org.br/historico.asp) e dava os trocados pra minha mãe. Depois a mulher que cuidava de mim foi pra São Paulo e eu fiquei andando pelo mundo, passei muita fome, sofri muita humilhação. Eu capinava uns quintais pra ganhar uns trocados, mas não era sempre que conseguia, não”.

Lembra que com 15 anos foi para Aparecida do Taboado (na época pertencente ao estado Mato Grosso, hoje Mato Grosso do Sul - https://pt.wikipedia.org/wiki/Aparecida_do_Taboado):"Eu não sei se era São Paulo ou Mato Grosso, fui trabalhar numa fazenda e virei escravo lá, eles batiam na gente com chicotadas, fiquei lá um ano. Colocaram argola de ferro em meu lábio e coleira de ferro no pescoço e no tornozelo, com uma corrente ligando, pra não fugir. Tinha muitas pessoas escravizadas. Tinha uma mineração, eu batia picareta”.

E conta como fugiu: “Saí escondido numa carroça de capim, debaixo do capim. Aí um moço lá fincava o capim com o garfo pra ver se não tinha nada escondido, mas não me acertou. Aí voltei pra Belo Horizonte e fiquei com a dona que cuidou de mim e com o marido dela, que ela voltou pra Belo Horizonte, e “tô” aqui até hoje”.

Em 1997 o índio Galdino foi incendiado por 5 jovens quando dormia em um ponto de ônibus em Brasília. (Leia AQUIAQUI e AQUI sobre o crime) Em Belo Horizonte houve crime semelhante, quando 4 moradores de rua e uma criança de um ano também morreram incendiados nas imediações da Escola de Medicina da UFMG. "Seo" Joel, com cerca de 80 anos, foi o único sobrevivente da chacina.

Na semana passada (em 26 de outubro) contei a história de “seo” Joel pra uma amiga dileta, moça de um sentimento do tamanho do mundo, e alegre, qualidades das melhores: Edilene Lopes, repórter da rádio Itatiaia. Prontamente se dispôs a fazer uma matéria com ele, e fez na sexta-feira (28/10) na escadaria da igreja São José, no centro de Belo Horizonte.  



A igreja está sendo reformada, assumindo seu aspecto original. Mais uma de “seo” Joel: “ Eu me lembro da igreja quando ela era assim”. A matéria foi veiculada no sábado, 29 de outubro, no jornal da “rádia”. (Escute o áudio no link http://www.itatiaia.com.br/uploads/audios/file_2/25/542/36465/27_-_EDILENE_X_ANIVERS_RIO_MORADOR_DE_RUA_-_29_10_16.mp3)

E leia matéria publicada no site da Itatiaia:http://www.itatiaia.com.br/noticia/morador-de-rua-vai-completar-100-anos-e-diz-que-quer-viver-aos-menos-mais-60



Possivelmente "seo" Joel é o morador de rua mais antigo do Brasil, nas condições dele. E apesar de tudo mantém o bom humor, marca de quem ama a vida: diz querer viver até os 160 anos. Eu não duvido que chegue lá. Já ajudou inúmeras pessoas nas ruas, como lembra, resgatando de vícios e meninas novas da prostituição, através de conversas e atenção dedicadas a elas, em trabalho solitário e fraterno. Muito mais histórias da sua história  de resistência, esperança, dignidade, compaixão, solidariedade e amor pela vida vêm por aí. (Assista no link a seguir matéria da Rede Minas sobre o Dia do Voluntario: https://www.youtube.com/watch?v=bamenUNjrp8#t=31.091957)

Na foto abaixo "seo" Joel almoçando comigo e com minha mãe. Chegou à minha casa há algum tempo, lá pelas 10 horas da manhã. Conheceu minha mãe, diagnosticada com o mal de  Alzheimer, contou muitas histórias, tristes e alegres, e a fez rir muito. Foi marcante, ela não se lembra de acontecimentos recentes, mas não se esquece dele. Depois foi perambular, como gosta.

PS - Conversando comigo antes do almoço "seo" Joel disse que não se alimentava há dois dias. Depois disso conversei sobre ele com algumas pessoas. Ele havia conseguido um pequeno restaurante onde poderia almoçar e jantar diariamente até o final do ano por um valor módico. Algumas dessas pessoas prontamente se dispuseram a ajudar e contribuíram para isso possibilitando suas refeições e suprindo outras necessidades. Seguem seus nomes e o agradecimento de "seo" Joel: o lendário jornalista José Maria Rabelo, criador do jornal “Binômio”, um casal de vizinhos meus, Maurício Guimarães e Laura Maria Dias, o proprietário da floricultura Uriel e o padre Henrique Faria, coordenador do Fórum Político Inter-religioso. 

PS (08/12) - Neste 8 de dezembro "seo" Joel completou 100 anos. Foi levado para almoçar num restaurante próximo à minha residência no bairro Santa Lúcia. Os demais clientes presentes festejaram cantando parabéns para ele, que soprou a vela do centenário ofertada pela casa. A TV Minas documentou tudo e a matéria foi ao ar no jornal da emissora no mesmo dia. Assista pelo link https://www.youtube.com/watch?v=5eiX0LKy6Bg . 

Veja também matéria da Rede Minas sobre perfil dos moradores de rua de Belo Horizonte: http://redeminas.tv/moradores-de-rua-em-bh-jornal-minas/.

PS (26/12) - Também a TV Brasil levou ao ar em seu telejornal matéria sobre o aniversário de seu Joel, que também pode ser vista pelo link  https://www.youtube.com/watch?v=5eiX0LKy6Bg  


Foto: Thalita

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

ABSTENÇÃO, BRANCOS E NULOS VENCEM EM BH: 43,14%



Agora é ver como o próximo prefeito, Alexandre Kalil (PHS - à esq), vai se relacionar com isso e com os 28,91% (do total de eleitores) obtidos por João Leite (PSDB) , soma que atinge 72,05% dos eleitores da capital mineira. Para todos a insatisfação popular está explícita nos números, e não só em Belo Horizonte. Kalil obteve 32,58% dos votos do eleitorado total.

De qualquer forma, desejar o desastre de qualquer administração é desejar o desastre da população. Por isso, tudo tem sempre que ser feito na perspectiva dos interesses populares, da inclusão social, do respeito às diferenças, do incentivo à solidariedade e ao cuidado com as questões ambientais e muito mais.

O governador Fernando Pimentel (PT) não deu o ar da graça. Mas acompanhou tudo, e muito de perto, a julgar pela informação postada no perfil do jornalista Orion Teixeira no Facebook, no domingo após o término da votação. (imagem abaixo) Nela se afirma que Pimentel reunia-se quase diariamente com o candidato do PHS, no Palácio da Liberdade.

O voto dos petistas foi fundamental para a vitória de Kalil, apesar do partido não ter oficialmente apoiado sua campanha e do candidato haver rejeitado apoio do PT no processo eleitoral. O vice de Kalil, o deputado estadual Paulo Lamac (Rede), petista até poucos meses atrás, vai indicar nomes, é claro. E inegável que o PT vai participar, com peso, da administração.


No ano 2000, o médico Célio de Castro se reelegeu prefeito tendo Fernando Pimentel como vice, disputando contra João Leite que saia em sua primeira tentativa para o executivo da capital mineira, numa disputa acirrada. Edição do jornal Mosaico circulou amplamente em Belo Horizonte pouco antes do segundo turno e favoreceu fortemente a campanha do "Doutor BH", como Célio se tornou conhecido. Saiba por que lendo o PDF abaixo.

De resto, administradores públicos são políticos como qualquer pessoa é, que foram eleitos para administrar o bem coletivo. Com participação popular, é o melhor. No mais, viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu.



terça-feira, 25 de outubro de 2016

A POLÍTICA COMO ELA É




Na imagem duas situações inteiramente distintas, que provocaram consequências eleitorais também inteiramente distintas. À direita, reunião do deputado estadual petista mineiro Durval Ângelo com funcionários dos Correios, pouco antes do primeiro turno das eleições presidenciais de 2014. À esquerda, foto do lendário líder de vilas e favelas Vicentão (Vicente Gonçalves) contando com texto extraído do blog luizdomosaico.blogspot.com, usados em panfleto eleitoral da campanha de Dilma e  Temer distribuídos no país no segundo turno.

A reunião com o deputado petista, hoje líder do governo mineiro na Assembleia Legislativa, foi intensamente usada eleitoralmente contra a campanha de Dilma e Temer e fartamente divulgada pela mídia nacional, devido a colocações feitas por ele no evento: “Se, hoje, nós temos a capilaridade da campanha do Pimentel e da Dilma em toda Minas Gerais, isso é graças a essa equipe dos Correios.”

Disse mais: “A Dilma tinha em Minas Gerais, em alguns momentos, menos de 30%. Se, hoje, nós estamos com 40% em Minas Gerais, tem dedo forte dos petistas dos correios. Então, queremos que você leve a direção nacional do PT, que eu também faço parte do diretório, mas também a direção nacional da campanha da Dilma, a grande contribuição que os correios estão fazendo.” (Assista ao vídeo AQUI e leia matérias da mídia AQUI e AQUI

No panfleto eleitoral com Vicentão foi usado post do blog luizdomosaico.blogspot.com em que o líder popular declarou seu apoio a campanha de Dilma, numa situação eleitoral normal, como outras pessoas deram apoio a campanha de Aécio.

O post do blog contém algumas informações sobre sua portentosa e fascinante vida. Uma vida de muitas lutas e de amparo aos destituídos e necessitados. Além de muito mais, Vicentão foi preso mais de 40 vezes defendendo as favelas de BH, deu assistência a mais de 300 “filhos adotivos” nas favelas e servia comida a dezenas de famélicos em seu barraco, diariamente, numa época de muita miséria em que não existia ‘Bolsa Família’. Histórias que inclusive Lula e inúmeros outros, não só petistas, conhecem bem. (acesse o post AQUI )

Post do blog
O que não foi normal foi a desconsideração de ‘chefes’ e outros da campanha petista em relação a Vicentão, que não pediu, mas não recebeu um mínimo agradecimento por ter dado seu apoio e por esse apoio ter sido usado em um panfleto oficial da campanha, com expressivo peso eleitoral, principalmente em Minas Gerais - estado determinante na vitória da petista -, fato reconhecido inclusive pelo procurador federal Eugênio Aragão, ministro da Justiça do governo Dilma, em conversa com este blogueiro, entre outros.

O governador mineiro Fernando Pimentel, nomeado por Dilma chefe de sua campanha em Minas no segundo turno, poderia ter feito isso, já que acompanhou tudo e conhece bem a história de Vicentão, e não fez, da mesma forma que outros. Tratamento semelhante recebeu este blogueiro, autor da matéria usada. 

Mais que isso, o panfleto não dá crédito ao blog pela matéria, quem leu é levado a pensar naturalmente que foi inteiramente produzido pela campanha de Dilma-Temer. Já a foto, do jornal Brasil de Fato, foi publicada com crédito explícito.

Vicentão faleceu recentemente, na simplicidade que o caracterizava e destituído materialmente, como foi sua vida em mais de 70 anos de militância social. Enquanto isso, uns e outros...

O panfleto eleitoral da campanha presidencial petista

Post do blog, segunda parte

Post do blog, final

domingo, 17 de julho de 2016

UMA VISÃO ESPÍRITA DA HOMOSSEXUALIDADE




Neste domingo 17 de julho, realiza-se a 19ª Parada do Orgulho LGBT de Belo Horizonte. É uma boa oportunidade para refletir sobre as diversas formas de violência que ainda nos habitam, e sobre a amorosidade. Vai aqui uma reflexão sobre a homossexualidade e a diversidade sexual à luz da doutrina espírita, nas colocações do presidente da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais (AMEMG), Andrei Moreira, em entrevista publicada no site da instituição. Segue também, logo abaixo, link de esclarecedora palestra proferida por ele intitulada "Homossexualidade Sob a Ótica do Espírito Imortal", também título de livro de sua autoria..

https://www.youtube.com/watch?v=uQVfrBMyEqQ

A seguir, a entrevista:

  1. Homossexualidade é ou não uma doença à luz do Espírito imortal?
“Desde 1973, a homossexualidade deixou de ser classificada como tal pela Associação Americana de Psiquiatria. Em 1975 a Associação Americana de Psicologia adotou o mesmo procedimento, deixando de considerar a homossexualidade como doença. No Brasil, em 1985, o Conselho Federal de Psicologia deixa de considerar a homossexualidade como um desvio sexual e, em 1999, estabelece regras para a atuação dos psicólogos em relação à questões de orientação sexual, declarando que “a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão” e que os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura da homossexualidade. No dia 17 de Maio de 1990 a Assembléia-geral da Organização Mundial de Saúde (sigla OMS) retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais, a Classificação internacional de doenças (sigla CID). Por fim, em 1991, a Anistia Internacional passa a considerar a discriminação contra homossexuais uma violação aos direitos humanos” – Wikypedia
A Homossexualidade, segundo a ciência, é uma orientação afetivo-sexual normal. Sob o ponto de vista espírita, tem sido catalogada por muitos escritores espíritas como doença ou distúrbio da sexualidade, em franco desrespeito ao conhecimento científico atual. Não há base no conhecimento espírita para se afirmar tal coisa. Não há uma visão que seja consenso sobre o assunto no movimento espírita, mas há excelentes textos dos espíritos André Luiz e Emmanuel nos direcionando o pensamento e a reflexão para o respeito, acolhimento e inclusão da pessoa homossexual, entendendo a homossexualidade como uma condição evolutiva natural (e o termo “natural” como sinônimo de “presente na natureza”), decorrente de múltiplos fatores, sempre individuais para cada espírito, construída ou escolhida pelo espírito, em função de tarefas específicas ou provas redentoras, incluindo aí as condições expiativas e reeducativas devidas a abusos afetivo-sexuais no passado, que parecem ser a causa determinante da maior parte das condições homossexuais, segundo a literatura espírita.
2. Qual a diferença entre orientação e escolha sexual?
Orientação sexual representa o desejo e o interesse afetivo-sexual (note bem: não somente sexual, mas também afetivo) do indivíduo, decorrente de múltiplos fatores, os quais determinam com qual sexo ele se sente realizado para uma parceria íntima.  A orientação sexual é fruto da história pessoal do indivíduo, presente e passada; é influenciada pela cultura e pelas identificações psicológicas, porém não controlada ou determinada conscientemente pelo indivíduo. Nasce-se com ela. Escolha é fruto da decisão consciente de se viver ou não a orientação, aceitá-la ou reprimi-la, de acordo com as idealizações e a pressão familiar-social-cultural do meio em que o indivíduo se encontra reencarnado.
3. O homem homossexual se sente uma mulher? A mulher homossexual se sente um homem?
De forma alguma. Identidade e orientação sexual são coisas distintas. Identidade é como o indivíduo se sente, a qual sexo pertence, com qual sexo se identifica psicologicamente. A orientação homossexual representa exclusivamente o direcionamento do afeto e do interesse sexual para indivíduos do mesmo sexo. O homem homossexual tem a sua identidade masculina, sente-se homem, embora possa ou não ter trejeitos afeminados, conforme sua história e identificação psicológica. Igualmente, a mulher homossexual tem a identidade feminina, embora possa ter ou não trejeitos masculinizados. Quando o indivíduo está em um corpo de um sexo, e sua identidade é a do sexo oposto, dizemos que ele é transexual, que é diferente do homossexual.
4. Em todos os casos, o espírito já renasce homossexual? É possível reverter essa orientação?
Há uma diferença entre comportamento homossexual e identidade afetivo-sexual homossexual. Observamos comportamentos homossexuais em indivíduos com doenças psiquiátricas, entre presidiários e soldados em guerra; nessas condições, na ausência da figura feminina, a prática sexual entre iguais praticada por muitos como campo de liberação das tensões sexuais e da busca do prazer. Isso não quer dizer que eles sejam homossexuais. O indivíduo com identidade homossexual é aquele que se sente atraído afetiva e sexualmente por pessoa do mesmo sexo, o que pode ser percebido ou descoberto em diferentes fases da vida do indivíduo. Não podemos afirmar que todos os homossexuais tenham nascido com essa orientação, pois a variedade de manifestações nessa área nos remete a múltiplas causas, embora a literatura mediúnica espírita nos informe de que em boa parte dos casos as pessoas homossexuais trazem de seu passado espiritual a fonte de sua orientação presente.
Não sendo, em si, uma condição maléfica para o indivíduo, mas neutra, podendo ser positiva ou não, dependendo da forma como for vivenciada, não há necessidade de reverter essa condição. A orientação da ciência médica e psicológica atual é de que o indivíduo homossexual que não se aceita e sofre com isso deve ser classificado como portador de transtorno egodistônico, e os esforços devem se direcionar no sentido de auxiliá-lo a se aceitar e se amar tal qual é, sentindo-se digno de amor e respeito, buscando relações que lhe fortaleçam o autoamor e nas quais possa ser natural, espontâneo e verdadeiro, em busca de sua felicidade e de seu progresso.
Há religiosos e profissionais fundamentalistas que oferecem terapia e assistência espiritual, sobretudo em igrejas evangélicas, para que o indivíduo se “cure” da homossexualidade. Não há registros de casos bem sucedidos. O que frequentemente se observa são indivíduos bissexuais alterando o direcionamento do seu afeto para indivíduos do mesmo sexo, porém muitos deles têm relações sexuais clandestinas com pessoas do mesmo sexo e nos procuram nos consultórios cheios de culpa, medo e vergonha por não se sentirem “curados”. Além disso, há os indivíduos homossexuais que decidem vestir a máscara de heterossexuais e por algum tempo formam famílias; frequentemente, saem de casa após algum tempo para viverem o que sentem como sua real atração afetivo-sexual.


5. Existem casos de homossexualidade desenvolvida exclusivamente pela educação na infância? Em caso afirmativo, é possível reverter o processo?
Segundo Freud, sim, o que não significa que seja passível de reversão ou que haja necessidade disso. Segundo o Conselho Federal de Psicologia a identidade e a orientação sexual estruturadas na infância não são passíveis de reversão, e a homossexualidade não é uma condição que necessite reversão, já que não é uma doença e muito menos um desvio moral. Porém, na visão espírita, os benfeitores espirituais nos informam que o espírito, ao reencarnar, já escolhe a natureza de suas provas e as condições familiares sociais e pessoais necessárias ao seu progresso, conforme sua consciência indique a necessidade de reparação dos equívocos do passado e de melhoramento pessoal. Em outras situações, quando o espírito não se encontra maduro para definir suas provas, elas são estabelecidas por orientadores evolutivos, mas, ainda assim, são definidas previamente à reencarnação. Assim, a família, o corpo que a pessoa tem e os principais pontos da existência já estão definidos para patrocinar as condições necessárias ao progresso do indivíduo. Além disso, o espírito traz impressos em si o fruto de suas escolhas, o resultado de suas experiências passadas, em seu psiquismo e no corpo espiritual, a determinar a identidade e a orientação sexual da presente encarnação.
6. Muitos consideram que a abstinência é uma recomendação educativa no caso de homossexualidade. O que você acha?
Abstinência não representa educação do desejo e da prática sexual. Contudo, pode ser uma etapa necessária em certos casos, para a disciplina dos impulsos íntimos, de heterossexuais e homossexuais, quando se percebam necessitados de controle do desejo e da prática sem limites. Também pode acontecer que tenham a condição de abstinência imposta pela misericórdia divina como recurso emergencial de salvação perante circunstâncias de abusos reiterados nessa área.
Diz Ermance Dufaux, no livro Unidos para o Amor: “Abstinência nem sempre é solução e pode ser apenas uma medida disciplinar sem que, necessariamente, signifique um ato educativo. Por educar devemos entender, sobretudo, a desenvoltura de qualidades íntimas capazes de nos habilitar ao trato moral seguro e proveitoso com a vida. (…) A questão da sexualidade é pessoal, intransferível, consciencial e a ética nesse campo passa por muitas e muitas adequações”.
O Espiritismo recomenda a todas as criaturas a conscientização a respeito da sacralidade do corpo físico e da sexualidade, como fonte criativa e criadora, destinada a ser fonte de prazer físico e espiritual, sobretudo de realização íntima para o ser humano, em todas as suas formas de expressão.
Sintetiza Emmanuel, na introdução do livro Vida e Sexo: “(…) em torno do sexo, será justo sintetizarmos todas as digressões nas normas seguintes: Não proibição, mas educação. Não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo. Não indisciplina, mas controle. Não impulso livre, mas responsabilidade (grifos nossos). Fora disso, é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência. Sem isso, será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos mecanismos da reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um”.
7. O homossexual não consegue de forma alguma ter atração por pessoa do sexo oposto ou isso pode acontecer de forma natural?
Segundo o relatório Kinsey, extensa pesquisa sobre o comportamento sexual humano realizada nos EUA na década de 60 do século XX, pelo biólogo Alfred Kinsey, tanto a homossexualidade como a heterossexualidade absoluta são condições raras em nossa sociedade. A grande maioria das pessoas tem uma condição de desejo predominante, em graus variáveis. Por exemplo, uma pessoa pode ser 80% heterossexual e 20% homossexual ou vice-versa. É natural, portanto, que uma atração heterossexual possa ocorrer na vida de um indivíduo homossexual, o que muitas vezes é entendido pelo leigo como “cura” da homossexualidade.
Emmanuel nos esclarece a respeito dessa realidade no livro Vida e Sexo, cap.21: “através de milênios e milênios, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas. O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou acentuadamente feminina, sem especificação psicológica absoluta.”
Podemos compreender assim que todos os indivíduos trazem em sua intimidade a possibilidade de se sentirem atraídos e se apaixonarem por alguém do mesmo sexo (afinal de contas,  a pessoa se apaixona por um indivíduo completo, e não pelo seu corpo apenas). Isso não significa que vá ou necessite viver essa situação.  O psiquismo atende e responde ao impulso do espírito, que é assexuado, mas que cumpre programas específicos em um ou outro sexo, conforme definição anterior e necessidade evolutiva, inserido em um contexto sociocultural que o limita na percepção e expressão do que vai em sua intimidade profunda.
8. Homem ou mulher que tenham fantasias com pessoas do mesmo sexo podem ser considerados homossexuais?
Na adolescência as experiências homossexuais são naturais, definidas pela psicologia como experiências de experimentação de uma identidade sexual em formação; não atestam, necessariamente, a orientação homossexual. Já no adulto a fantasia é uma das formas de expressão do desejo e da atração homoafetiva e atestam a intimidade da criatura, mesmo que não sejam aceitas pela personalidade consciente.

9. Qual sua avaliação sobre como a comunidade espírita trata a homossexualidade?
Em geral, observamos uma abordagem superficial e discriminatória por parte da comunidade espírita com os homossexuais e a homossexualidade. É compreensível que seja assim, pois todo meio religioso lida com idealizações e preconceitos seculares. Todavia, tal postura pode ser modificada por meio do que recomenda Allan Kardec: estudo sério e aprofundado de um tema para que se possa opinar sobre ele. É lamentável que nós, adeptos de uma fé raciocinada, nos permitamos o mesmo comportamento dos religiosos fundamentalistas.
Observa-se muita opinião pessoal sem fundamento tomada como regra e lei. Tais opiniões costumam ser destituídas de compaixão e amorosidadee terminam por isolar o indivíduo homossexual, tachando-o de doente, perturbado, promíscuo e/ou obsediado. Às vezes ele é até mesmo afastado das atividades espíritas habituais, como se fosse portador de grave moléstia que devesse receber reprovação e crítica por parte da parcela heterossexual “normal” da sociedade. Tais posturas são frequentemente embasadas no tradicional preconceito judaico-cristão-ocidental de que a única e exclusiva função da sexualidade é a procriação humana, tomando a parte pelo todo.
O Espiritismo é uma doutrina livre e libertária, compromissada com o entendimento da natureza íntima do ser humano e o progresso espiritual. Nos dá bases muito ricas de entendimento do psiquismo e da sexualidade do espírito imortal, como instrumentos divinos dados por Deus ao homem para seu aprimoramento e felicidade. Além disso, nos oferece esclarecimento a respeito das condições e situações determinadas pela liberdade do homem, que desvia esses instrumentos superiores de suas funções sagradas.
É imprescindível que se extinga em nosso movimento o preconceito e que os homossexuais tenham campo de trabalho, se dediquem ao estudo e à prática da doutrina espírita, com a mesma naturalidade de heterossexuais. Isso, para que compreendam o papel de sua condição em seu momento evolutivo e a utilizem com respeito e dignidade com vistas ao equacionamento dos dramas internos, ao cumprimento dos planos de trabalho específicos em sua proposta encarnatória e ao seu progresso pessoal, da família e da sociedade da qual faz parte, da mesma maneira como deve fazer o heterossexual.
10.   Como devem se comportar os pais espíritas de um indivíduo que se descubra homossexual?
Aos pais de uma pessoa homossexual cabe o acolhimento integral e amoroso do indivíduo, com aceitação de sua condição, que nada mais é que uma das características da personalidade. Ser homossexual não é sinônimo de ser promíscuo, inferior, afeminado (para homens) ou masculinizado (para mulheres). Simplesmente atesta que o indivíduo se realiza sexual e afetivamente no encontro entre iguais. A pessoa homossexual deve receber a mesma instrução e educação a respeito da sexualidade que os heterossexuais, a fim de bem direcionar as suas energias e esforços no sentido da construção do afeto com quem eleja como parceiro (a). A postura na vivência da sexualidade, para homossexuais, deve ser a mesma aconselhada pelos espíritos a heterossexuais: dignidade, respeito a si mesmo e ao outro,  valorização da família, da parceria afetiva profunda no casamento e dedicação da energia sexual criativa em benefício da comunidade em que está  inserido.
O acolhimento amoroso da família é fundamental para que o indivíduo homossexual possa se aceitar, se compreender, entendendo o papel dessa condição em sua vida atual, e para que se sinta digno e responsável perante suas escolhas. A luta, para aqueles que vivem essa condição, é grande, a fim de afirmar a sua autoestima em uma sociedade que banaliza a condição sexual e vulgariza a diferença. A família é o núcleo onde se encontram corações compromissados em projetos reencarnatórios comuns, com vínculos pessoais de cada um com o passado daqueles que com eles convivem, devendo ser cada membro dessa célula da sociedade, um esteio para que o melhor do outro venha à tona, por meio da experiência amorosa.
Os pais de homossexuais poderão ler e compartilhar interessantes experiências de outros pais no site e nos livros de Edith Modesto:http://www.gph.org.br
11.  Gostaria de acrescentar algo?
Romanos 14:14 “Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nada é de si mesmo imundo a não ser para aquele que assim o considera; para esse é imundo.”
Todas as experiências evolutivas onde estejam presentes o autorrespeito, a autoconsideração, a autovalorização e o autoamor são experiências evolutivas promotoras de progresso e evolução, pois aquele que se oferece essas condições naturalmente as estende ao outro na vida. A homossexualidade, independentemente da forma como se haja estruturado como condição evolutiva momentânea do indivíduo, pode ser vivenciada com dignidade e ser um rico campo de experimentação do afeto e construção do amor, desde que aqueles que a vivam se lembrem de que são espíritos imortais e de que a vida na matéria é tempo de plantio para a eternidade, no terreno do sentimento e das conquistas evolutivas propiciadas pelo amor, em qualquer de suas infinitas manifestações.
Diz-nos Emmanuel no livro Vida e Sexo, lição 21 – Homossexualidade, ed. Feb:
“A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade, em si, exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinqüência.”
E complementa André Luiz, no livro Sexo e destino –  Cap. 5,  pág 155 – ed. Feb:
“(…) no mundo porvindouro os irmãos reencarnados, tanto em condições normais quanto em condições julgadas anormais, serão tratados em pé de igualdade, no mesmo nível de dignidade humana, reparando-se as injustiças achacadas, há séculos, contra aqueles que renascem sofrendo particularidades anômalas, porquanto a perseguição e a crueldade com que são batidos pela sociedade humana lhes impedem ou dificultam a execução dos encargos que trazem à existência física, quando não fazem deles criaturas hipócritas, com necessidade de mentir incessantemente para viver, sob o sol que a Bondade Divina acendeu em benefício de todos.”
Para saber mais:
Indico, entre outros, os seguintes livros espíritas, com abordagens responsáveis e bem fundamentadas sobre o assunto:
1- Vida e sexo, Emmanuel/Chico Xavier, em especial cap. 21 – ed. Feb
2- Sexo e destino e Ação e reação – ambos de André Luiz/Chico Xavier – ed. feb
3- Além do rosa e do azul – Gibson Bastos – Ed. Celd
4- O preço de ser diferente (romance) – Ed. Vida e Consciência
5- Quem perdoa, liberta – José Mário/Wanderley Oliveira – Cap. Homoafetividade e mediunidade
*Andrei Moreira é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Integra, desde 2005, uma equipe do Programa de Saúde da Família, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Especializado em Homeopatia.
Preceptor do Internato em Atenção Integral à Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade de Alfenas, campus BH, desde 2008.
Participa ativamente do movimento espírita nacional e internacional, proferindo palestras e seminários. Integra equipes de atendimento a pacientes com a metodologia médico-espírita na Amemg.
Presidente da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais, desde 2007.
Autor do livro: Cura e autocura – uma visão médico espírita – AME Editora, 2010



No livro do presidente da AMEMG, "Homossexualidade sob a Ótica do Espírito Imortal": "Uma vez assumida a condição afetivo-sexual homossexual, é natural que os indivíduos busquem realizar-se em parcerias afetivas que lhes alimentem corpo e alma. A partilha afetiva é fonte de nutrição espiritual de alta qualidade entre dois seres que se amam e se respeitam, como nos ensina André Luiz: 

"O instinto sexual não é apenas agente de reprodução entre as formas superiores, mas, acima de tudo, é o reconstituinte das forças espirituais, pelo qual as criaturas encarnadas ou desencarnadas se alimentam mutuamente, na permuta de raios psíquico-magnéticos que lhes são necessários ao progresso." (Chico Xavier e Espírito André Luiz, Evolução em dois mundos)

"A pior situação que podemos viver é passar toda uma existência sem nos dar o devido amor e respeito, fazendo coisas completamente diferentes do que sentimos. Se não nos aceitarmos, quem nos aceitará? Se nós não nos amarmos, quem nos amará? Somente optando pelo autorrespeito é que conseguiremos o respeito alheio." (Espírito Hammed em 'Os prazeres da alma')

Link do vídeo "O amor transforma preconceitos": https://www.youtube.com/watch?v=ONZxpcT3jkM

segunda-feira, 4 de abril de 2016

PARA ALÉM DO IMPEACHMENT




Parece que está se formando clara compreensão de que o processo de impeachment está fadado a preservar Dilma na Presidência da República.  As fichas agora serão investidas prioritariamente nos processos que pedem cassação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral, movidos pelo PSDB, além de insistir num pedido de renúncia da presidente, que ela já rechaçou, 

Indicativo indiscutível nesse sentido está na mídia, em que a acusação sobre eventuais recursos irregulares que teriam sido pagos ao publicitário João Santana pela campanha de Dilma  receberam forte destaque e onde até editoriais, ou articulistas, estão propondo, ou pedindo, que ela renuncie ao seu mandato "para o bem do Brasil". É a nova perspectiva de muitos segmentos.

Propõe-se inclusive que o vice Michel Temer também renuncie. Além de não ter grande base social, avalia-se que não pegou bem a ida do PMDB para o grupamento pró-impeachment, apontando a possibilidade de Temer se tornar o mandatário da nação. 

A proposta quer ainda que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o primeiro na linha de sucessão após o vice, seja afastado imediatamente pela Casa ou pelo STF. É réu no Supremo e corre contra ele um processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara. (http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2016/04/1756924-nem-dilma-nem-temer.shtml)

Além da acusação contra João Santana há a delação premiada do ex-presidente da Andrade Gutierrez na Lava Jato sobre doações ilegais da empresa que também teriam ocorrido na campanha eleitoral de 2014. (http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2016/03/10/andrade-gutierrez-entrega-dados-de-doacoes-nao-oficiais-a-dilma-em-2014/)

"Quando o PSDB propôs as ações, notam juristas ouvidos pela BBC Brasil, fez acusações genéricas de uso de recursos desviados da Petrobras como doações de empresas para campanhas, mas não abordou pagamentos para Santana no exterior, até porque isso ainda não tinha sido revelado.
“É uma batalha jurídica”, nota o advogado Alberto Rollo, presidente do Instituto de Direito Político Eleitoral e Administrativo.
“Talvez o TSE aceite (incluir essas provas) sob esse guarda-chuva de que tudo é desvio da Petrobras. É possível, por outro lado, raciocinar que a gente só pode basear o julgamento de eventual cassação no âmbito da Justiça Eleitoral de fatos que faziam parte da ação lá atrás (quando ela foi proposta)”, acrescentou.
A professora de Direito Eleitoral da FGV-Rio Silvana Batini tem leitura semelhante. Ela destaca, porém, que a legislação eleitoral permite que o juiz, ao fazer o julgamento, leve em consideração “circunstâncias” para além das provas previstas na ação.
“Esse fato de hoje (sobre Santana) não integra a ação que está em curso no TSE, mas pode acontecer de entrar no processo como uma prova documental de reforço”, afirmou.
“Então, eu acho que pode sim ter o potencial de interferir nessa ação. Não que esse fato específico seja o objeto, mas pode interferir na formação do convencimento dos ministros.” (http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/02/160218_santana_dilma_tse_ms)
"Oficialmente, a maior parte do valor doado pela construtora foi feito a diretórios de partidos políticos, sendo o maior beneficiado o PSDB. Do total de R$ 62,6 milhões que a construtora doou para as agremiações, os tucanos ficaram com R$ 24,1 milhões --sendo 23,9 milhões para o diretório nacional e R$ 200 mil para o partido no Maranhão."  (http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2016/03/11/psdb-e-dilma-receberam-maior-fatia-de-doacoes-da-andrade-gutierrez-em-2014.htm)
   
LEIA MAIS:

http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2016/03/31/processo-contra-chapa-dilma-temer-na-justica-eleitoral-vai-avancar/



sábado, 27 de fevereiro de 2016

GOVERNO PIMENTEL APROVA TUCANOS EM MINAS

    O ex-controlador-geral do governo mineiro, Mário Spinelli,
     ao lado do governador Fernando Pimentel (Foto: portal CGE)

O governo Fernando Pimentel (PT-MG) passou atestado de bons antecedentes ao período de 12 anos dos governos do PSDB em Minas, no que diz respeito a desvio de dinheiro público. Auditoria anunciada e divulgada não indicou nada neste sentido.

Segundo diagnóstico apresentado em abril de 2015, contestado pelos tucanos, a administração petista      herdou um déficit de R$ 7,2 bilhões, obras paralisadas, mas não fez referência a nenhum desvio de valores. Na  apresentação, o governador disse que o objetivo “não é procurar culpados nem jogar pedra no passado”.

O secretário de Planejamento e Gestão, Helvécio Magalhães, afiançou: “Estamos detectando problemas e abrindo auditorias onde for necessário. Elas precisam ser finalizadas. Não há contenção para não investigar, independentemente de onde estivar o problema”. Porém, levantamento publicado no site da Controladoria Geral do Estado (CGE) nada apresentou sobre a existência de desvios.

Em matéria do dia 21 de dezembro passado no site da Controladoria-Geral publicou-se balanço de suas ações em 2015, onde se informou sobre fiscalização de contratos de empresas fornecedoras com o estado: “133 delas foram incluídas no Cadastro de Fornecedores Impedidos, ou seja, não podem ser contratadas pelo governo. Três empresas respondem a processos administrativos de responsabilização, segundo a lei anticorrupção. Auditoria realizada pela CGE identificou R$ 115 milhões em possíveis danos aos cofres públicos”.

Tudo precisa ser mais bem explicado. Em consulta feita ao Cadastro de Fornecedores Impedidos, de responsabilidade da mesma CGE, conta-se o registro de lançamento de 86 empresas em 2015, 47 a menos que o número informado, a quase totalidade delas por “descumprimento de obrigação contratual”, que pode ser até atraso na entrega de produto. Não especifica qual seria o descumprimento. Centenas de outros lançamentos de nomes de empresas constam no Cadastro, feitos praticamente pelo governo Anastasia (PSDB).  O relatório foi obtido através de link nos portais da CGE e da SEPLAG (Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão).

E a auditoria, conforme a publicação da CGE, “identificou R$ 115 milhões de possíveis danos aos cofres públicos”. “Possíveis danos” não são danos demonstrados e provados.  Em 12 anos de governos do PSDB o orçamento total do estado foi de R$ 460 bilhões, em valores nominais, conforme as leis orçamentárias aprovadas, e não corrigidos monetariamente por índices oficiais.

Assim, os R$ 115 milhões citados pela CGE de “possíveis danos” - em números atualizados, presume-se - representam apenas 0,28% do total dos orçamentos nominais dos 12 anos, o que é até irrisório em relação aos valores desviados no Brasil conforme se acompanha pelo noticiário e pode-se constatar nos tribunais. 

              Se os R$ 460 bilhões forem atualizados por índices oficiais, os 0,28% tornam-se ainda muito menores. Assim, o governo do PT em Minas passou atestado de bons antecedentes para os governos do PSDB.  Site nacional do partido publicou que o ex-controlador geral do estado, Mário Spinelli, “é conhecido por seu ostensivo combate à corrupção no governo mineiro.” Desde janeiro de 2016 Spinelli é o ouvidor geral da Petrobras.