terça-feira, 21 de abril de 2015

UM OUTRO 21 DE ABRIL


Neste 21 de abril o blog lembra outra edição da data, que fez história: 21 de abril de 1999. O então governador Itamar Franco determinou que a praça fosse aberta à população, e lá se misturaram cidadãos e movimentos sociais, calculadas em cerca de 20 mil pessoas. Naquele período havia o forte embate político entre o governador mineiro e o presidente Fernando Henrique Cardoso.

O feriado de 21 de abril foi criado em 1965, através da lei 4897/65, promulgada pelo general Humberto de Alencar Castelo Branco, então no comando do país, instituindo ainda o alferes e inconfidente Tiradentes como o patrono do Brasil. Só em 1867 foi instalado em Ouro Preto o primeiro monumento em homenagem a ele.

Porém, foi principalmente após a proclamação da República que Tiradentes passou a ser cultuado como um herói, já que se buscava construir uma identidade nacional. O quadro de Pedro Américo, de 1893, retratando o alferes esquartejado, tem esse sentido.

A Inconfidência Mineira tornou-se um marco indelével na vida nacional e Tiradentes um ícone da luta pela libertação da coroa portuguesa, da rejeição à derrama e ao pagamento do quinto e ao aumento de impostos determinado por Portugal, motivado por resultados em queda na mineração do ouro. A perspectiva era a construção de um estado nacional.

Foi um movimento produzido pela elite cultural, econômica e social da colônia, profissionais liberais, mineradores e fazendeiros, inspirado em pensadores como Russeau, Voltaire, Montesquieu e fortemente pela independência das 13 colônias na América do Norte da dominação inglesa. Apesar de não propor o fim da escravidão, recebeu também influência (dos ideais) da Revolução Francesa.

Hoje, podemos de certa forma comparar essa luta ao necessário combate à corrupção, ao combate ao desvio de dinheiro público e atualizá-la ampliando, na perspectiva da afirmação dos valores republicanos, pela liberdade, dignidade e igualdade de direitos.

Ainda que não fosse propósito de Tiradentes e dos Inconfidentes acabar com a escravidão o movimento criado está cravado na história da nação como ação libertária. Certamente se essa necessidade fosse incluída a força contestatória poderia ter sido outra, muito maior, dada pela participação das populações constituídas por negros escravizados, mas o movimento e suas proposições também seriam outros. A formação histórica e a cultura gerada pela colonização aqui na Terra Brasilis não suportariam isso.

Apesar de Portugal ter se constituído no primeiro estado nacional do ocidente, no século 12, e produzido o primeiro poema épico de um povo - Os Luzíadas -, a Península Ibérica, principalmente a Espanha, foi um foco poderoso da Inquisição, com toda sua violência. O combate aos mouros (mulçumanos) e judeus lá foi um poderoso patrocinador. Com o domínio da Espanha sobre Portugal e a instalação oficial da Inquisição neste país, essa perspectiva autoritária e violenta se alastrou para lá e para as colônias. E a memória brasileira é bastante autoritária.

Pelo simbolismo do 21 de abril e lembrando o marco em que a comemoração se constituiu em 1999, seguem fotos e matéria do jornal Mosaico sobre o evento, publicadas na edição do bimestre março/abril daquele ano. (Fotos de Welligton Pedro, cedidas ao jornal Mosaico, à época, pela Secom)

Pela coincidência dos números e, de alguma forma, dos propósitos, lembramos que está tramitando na Câmara Federal o projeto de lei 21 de 2011 - PL 21 -, de autoria do ex-deputado federal delegado Protógenes Queiroz, que eleva para 12 a 30 anos as penas para os crimes de corrupção e peculato (desvio promovido por funcionário público, em proveito próprio ou alheio), e obriga o judiciário a julgar com prioridade os processos de improbidade administrativa. Do 21 de abril ao PL 21. (Leia AQUI post sobre ele)


                                  



                   
Na edição de abril de 1999, publicou-se
equivocadamente  no jornal Mosaico
que a data comemorativa do 21 de abril
 teria sido instituída pelo ex-presidente
 Getúlio Vargas (Ver no fac-símile acima),
quando foi criada em 1965 pelo general
Castelo Branco, então no comando do país.

                           



Lula e o ex-governador gaúcho Olívio Dutra condecorados
                                           




O então governador gaúcho, Olívio Dutra,
 um dos homenageados pelo governo mineiro,
 passeando por Ouro Preto após o evento


Quadro de Wilson Rodrigues que retrata Tiradentes de forma realista. Como alferes, usava o rosto sempre barbeado e cabelos diferentes dos quadros oficiais. Deu-se, nesses quadros, uma aparência a Tiradentes próxima à imagem também tradicional de Jesus, para associá-lo mais fortemente à ideia de mártir.




segunda-feira, 30 de março de 2015

PL 21 NA PAUTA PARA VOTAÇÃO. APOIO POPULAR É INTENSO



O Congresso Nacional terá de votar em breve o projeto de lei 21 de 2011 - PL 21-, de autoria do ex-deputado federal Delegado Protógenes Queiroz ( PCdoB-SP ), que eleva para 12 a 30 anos as penas para os crimes de corrupção ativa e passiva e peculato (desvio promovido por funcionário público, em proveito próprio ou alheio), impõe multa e obriga o judiciário a julgar com prioridade, em todas as instâncias, os processos de improbidade e de crimes de responsabilidade de funcionários públicos.

Isso se dará porque no pacote anticorrupção enviado ao Congresso pela presidenta Dilma Roussef está incluso o projeto de lei 5586, de 2005, de autoria da presidência da República no governo Lula e que trata de enriquecimento ilícito de funcionário público e define penas de 3 a 8 anos e multa, para o qual a presidência solicitou tramitação em regime de urgência (através da mensagem MSC 58/2015).

O PL 21, já bastante divulgado e muito mais abrangente, está apensado a ele e isso não foi explicitado no pacote presidencial. Devido a essa ligação ele também tramitará em regime de urgência. Conta com 98% de aprovação em enquete feita na internet. Como já passou por todas as comissões temáticas, está no ponto de ser votado, e aprovado, espera-se.

Os dois projetos de lei estão na Câmara Federal, de onde são oriundos, e se não forem votados no prazo de 45 dias do pedido presidencial passam a trancar a pauta de votações da Casa, conforme o artigo 64 da Constituição Federal, que define que a presidência da República poderá solicitar urgência em projetos de iniciativa presidencial. O pedido de urgência foi protocolado no dia 19 de março. O mesmo ocorrerá no Senado, caso emperre por lá, após ser votado pelos deputados.

PL 5586/05
Outro projeto que também poderia ter sido incluído, e que está no Senado, é o PLC 49/2013 (Projeto de Lei da Câmara), de autoria do ex-deputado federal Fábio Trad (PMDB-MS). Já aprovado pela Câmara em caráter conclusivo (em alguns casos, projetos podem ser aprovados apenas pelas comissões temáticas designadas para analisá-los, dispensando o voto em plenário, conforme o artigo 58 da Constituição Federal), depende agora de aprovação pelos senadores, através de decisão terminativa, que é um procedimento similar ao da Câmara.

O PLC 49 estabelece prioridade de tramitação para os processos penais relativos aos crimes de corrupção ativa, passiva, peculato, concussão, tráfico de influência e impedimento, perturbação ou fraude de concorrência, além de crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores e crimes de responsabilidade de prefeitos. Também para ele a presidência da República poderia pedir regime de urgência.

PL 49/13
Se aprovado no Senado, em rito rápido, e também o PL 21, e sendo ambos sancionados pela presidenta Dilma, pode-se estabelecer imediatamente punições severas para os crimes de corrupção e peculato, produzindo julgamentos muito mais rápidos e chances muito maiores de recuperar os valores desviados. O mesmo efeito poderia se dar em relação a outros crimes que tenham afinidade com estes, previstos na legislação.

Um dos tópicos do pacote anticorrupção do governo diz respeito à agilização do julgamento de processos judiciais relativos à prática de atos ilícitos contra o patrimônio público.  O pacote presidencial regulamentou a lei 12.846/13, que penaliza empresas pela prática de atos lesivos à administração nacional ou estrangeira.

Ao determinarem prioridade de tramitação processual nas áreas cível e criminal, favorecem também a necessária reforma do judiciário. Possibilitam punição mais rápida nas áreas cível e criminal, antigas reivindicações populares, e terminam por impedir prescrições de processos motivadas por longos períodos de tramitação, além de propiciar que sejam recuperados mais rapidamente os valores surrupiados, o que é plenamente possível, e presos os culpados.

PACOTE DO GOVERNO: GRUPO A SER CRIADO
A discussão e aprovação do PL 21, favorecem também a luta pela Reforma Política até por estimularem o debate sobre como o financiamento privado de campanhas eleitorais - que é feito principalmente através de empresas - influencia no resultado das eleições e favorece em vastíssima medida atos de corrupção envolvendo dinheiro público, além de outros favorecimentos como forma de pagamento. Segundo tribunais eleitorais patrocínios por empresas chegam até a 100% do custo de campanhas.

A locomotiva da Reforma Política é o financiamento público das campanhas, promovendo o fim da participação financeira de empresas. A discussão do PL 21 abre enorme janela para se debater isso com a população, é um enorme facilitador para promover a compreensão popular sobre a necessidade de se extinguir a "contribuição" empresarial.

O projeto ainda tem a seu favor, para inspirar manifestações favoráveis e agregar mais fortemente o apoio popular e institucional, o peso histórico do 21 de abril e de Tiradentes, e de tudo que a Inconfidência Mineira representa no imaginário nacional. A luta contra a corrupção no setor público pode ser associada à luta contra a sangria que era praticada no período colonial, identificada pela derrama e pelo quinto cobrados pela coroa portuguesa. Do 21 de abril ao PL 21.

ESTÁTUA DE TIRADENTES EM OURO PRETO,
E CARTAZ PEDINDO A APROVAÇÃO DO PL 21

Em 2011 foi criada a Frente Nacional Pela Aprovação do PL 21, com a participação da OAB-MG, Arquidiocese de Belo Horizonte, AMAGIS (Associação dos Magistrados de Minas Gerais), AJOSP (Associação dos Jornalistas do Serviço Público de MG), Jornal Mosaico, Sindicato dos Jornalistas Profissionais de MG, SINDIOF (Sindicato da Imprensa Oficial de MG), Sinpro (Sindicato dos Professores de MG) e Orgapol, entre outras instituições.

Protógenes Queiroz promoveu a recuperação de muitos bilhões de reais para os cofres públicos através das operações de que participou na Polícia Federal. Independentemente de simpatias partidárias ou ideológicas ninguém no país suporta mais os desvios de dinheiro público, a não ser quem promove as pilhagens e seus coligados, é claro.

Se tem algo que joga por terra a autoestima de uma população inteira é o sentimento e a constatação da impunidade. Criando enorme frustração e desesperança, essa situação sempre agiu no sentido de também provocar e alimentar a prática da corrupção e de desvios éticos de uma forma geral, nas relações. E a memória autoritária brasileira sempre acentuou isso.

Promessas eleitorais e de políticos já instalados, em vastíssima medida já nem são mais consideradas no Brasil, fazem parte de anedotários. É como dizem as falas populares: "Meu ouvido não é paiol!" e "Se ajoelhou tem de rezar!". Assim, deputados e senadores que se dizem contra a corrupção podem fazer aprovar urgentemente o PL 21 e o PLC 49, para serem sancionados pela presidenta Dilma.

E para exercer maior controle sobre as possibilidades de desvio de dinheiro público e aumentar a apropriação pela população de sua própria realidade, nada como acentuar o controle social do orçamento público, em todos os níveis. Como política de estado e não como programa de um ou outro partido ou governo apenas.




O EX-DEPUTADO FEDERAL FÁBIO TRAD, AUTOR DO PLC 49/13


EDIÇÃO DE JUNHO DE 2011 DO JORNAL DA AJOSP

PS em 20/4/05 - Leia mais sobre o pl 21 AQUI E AQUI

quarta-feira, 18 de março de 2015

QUEM TEM MEDO DO PL 21?



A presidenta Dilma Roussef entregou nesta quarta-feira 18 de março ao Congresso, em ato simbólico no Palácio do Planalto, um pacote com medidas de combate à corrupção, prometido durante as eleições e citado em seu discurso de posse.( Leia aqui e aqui) No dia anterior recebeu do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil um Plano de Combate à Corrupção, elaborado pela entidade. (Leia aqui

O pacote deverá ser implementado através de Proposta de Emenda Constitucional (PEC), Projetos de lei (novos e agilização de outros já em tramitação) e decretos. Apesar de medidas necessárias e improrrogáveis, novas PECs e projetos de lei demandam muito tempo em tramitação. Em havendo vontade política de partidos, congressistas e governantes, há casos que podem e deveriam ser agilizados, como os que propõem severo combate à corrupção no setor público. Mas não é comum isso ocorrer.

E a ação gerou reação do senador Aécio Neves, presidente do PSDB, que criticou o pacote e anunciou a apresentação por seu partido na Câmara de um projeto de lei para promover a punição, através da perda de registro, de partidos políticos que tenham recebido ou venham a receber recursos ilegais ou oriundos de corrupção. O povo brasileiro agradece penhoradamente os projetos e espera que tudo seja rapidamente aprovado.

Um dos tópicos apresentados por Dilma, citado inclusive em seu discurso de posse, diz respeito à agilização do julgamento de processos judiciais relativos à prática de atos ilícitos contra o patrimônio público, como o desvio de dinheiro e enriquecimento ilícito.

Neste sentido poderia ter sido incluído no pacote do governo um projeto de lei já existente, para imediata aprovação. Trata-se do projeto de lei 21/2011 - PL 21 - de autoria do ex-deputado federal pelo PCdoB Delegado Protógenes Queiroz. Tramitando em caráter prioritário,  já passou pelas comissões temáticas e está pronto para ser votado, e aprovado, espera-se. Só depende de vontade política dos partidos e congressistas. O governo federal - através de sua base na Câmara e no Senado - e a oposição poderiam aprová-lo imediatamente, caso queiram.
Além de elevar penas para os crimes de corrupção - desvio de dinheiro público e peculato (desvio promovido por funcionário público, em proveito próprio ou alheio) para 12 a 30 anos -, determina que o judiciário, em todas as suas instâncias, priorize o julgamento dos processos relativos a eles. São penas impostas a alguns crimes hediondos. Já poderia mesmo ter sido aprovado. Em havendo condenação, é claro que tem de ocorrer a reintegração dos valores surrupiados, o que é plenamente possível. 

Já bastante divulgado, sua aceitação junto à população é enorme, 98%, verificada em enquete na internet e facilmente verificável em qualquer pesquisa que se faça, ou mesmo em conversas, quando apresentado.

Protógenes Queiroz promoveu a recuperação de muitos bilhões de reais para os cofres públicos através das operações de que participou na Polícia Federal. Independentemente de simpatias partidárias ou ideológicas, ninguém no país suporta mais os desvios de dinheiro público, a não ser quem promove as pilhagens e seus coligados, é claro.

A discussão e aprovação do PL 21, favorecem também a Reforma Política e a necessária reforma do judiciário, até por estimularem o debate sobre como o financiamento privado de campanhas eleitorais - que é feito principalmente através de empresas - influencia no resultado das eleições e favorece em vastíssima medida atos de corrupção envolvendo dinheiro público, além de outros favorecimentos como forma de pagamento. Segundo tribunais eleitorais patrocínios por empresas chegam até a 100% do custo de campanhas.

A locomotiva da Reforma Política é o financiamento público das campanhas, com o fim da participação financeira de empresas. O PL 21 abre enorme janela para se debater isso com a população, é um enorme facilitador no sentido de promover a compreensão popular sobre a necessidade do financiamento público e do fim da 'contribuição' empresarial.

O projeto ainda tem a seu favor, para inspirar manifestações favoráveis e agregar mais fortemente o apoio popular e institucional, o peso histórico do 21 de abril e de Tiradentes, e de tudo que a Inconfidência Mineira representa no imaginário nacional. A luta contra a corrupção no setor público pode ser associada à luta contra uma forma de sangria que era praticada no período colonial, identificados pela derrama e pelo quinto que eram cobrados pela coroa portuguesa. Do 21 de abril ao PL 21.

Se tem algo que joga por terra a autoestima de uma população inteira é o sentimento e a constatação da impunidade. Criando enorme frustração e desesperança, essa situação sempre agiu no sentido de também provocar e alimentar a prática da corrupção e de desvios éticos de uma forma geral, nas relações. E a memória autoritária brasileira sempre acentuou isso.

Na mesma linha do PL 21 já vigora, desde o dia 29 de janeiro de 2014, a lei 12.846/13. Penaliza empresas pela prática de atos lesivos à administração pública brasileira ou estrangeira. Além de sanções na área judicial, a empresa poderá pagar multa na área administrativa de até 20% de seu faturamento anual bruto. Na impossibilidade de calcular o faturamento, poderá ser aplicada multa que vai de R$ 6 mil a R$ 60 milhões. Foi regulamentada hoje pela presidenta, no bojo do pacote anunciado.


Promessas eleitorais e de políticos já instalados, em vastíssima medida já nem são mais consideradas no Brasil, fazem parte de anedotários. É como dizem as falas populares: "Meu ouvido não é paiol" e " Se ajoelhou tem de rezar." Assim, deputados e senadores de todos os partidos, que sempre se dizem contra a corrupção, podem fazer aprovar urgentemente o PL 21, além de outras medidas, contando com empenho favorável também da presidência da República.
E para exercer maior controle sobre as possibilidades de desvio de dinheiro público e aumentar a apropriação pela população de sua própria realidade, nada como acentuar o controle social do orçamento público, em todos os níveis administrativos. Como política de estado e não como programa de um ou outro partido apenas.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A SAGA DO PL 21




Segue abaixo uma 'brincadeira' feita com o tema do projeto de lei 21 de 2011 - PL 21. Alguns versos para contar sua saga, já que este blog publicou vários posts sobre ele, difundindo-o. Agora, uma forma diferente de colocar o tema. Não tem a pretensão de estar fazendo arte, mas mantém a de tentar sensibilizar as pessoas - e partidos e parlamentares - sobre a importância de sua aprovação para o país. Como a peça é destituída de qualquer pretensão literária, já pedimos a bondade dos leitores em suas avaliações neste sentido. E vamos à saga.






segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

SINDICALISTA ESTRANHA DISPARIDADE DE DADOS NA IMPRENSA OFICIAL MINEIRA

 

Na parte superior documento da SEPLAG. O primeiro nome não
aparece na relação do Portal da Transparência (embaixo, à esquerda).
 O último nome no documento da SEPLAG consta como DAI-20,
e no Portal aparece como DAI-9 (embaixo, à direita).
 Dos 91 cargos comissionados 76 estão em desacordo.



















Parece que está a pleno vapor a auditoria determinada pelo governador Fernando Pimentel nas contas do estado, que deverá entregar seus resultados em noventa dias a partir de sua instalação. Juntamente com servidores, uma empresa estaria auditando os contratos e convênios e uma fundação trabalhando sobre políticas públicas implementadas pelos governos anteriores e sobre a execução de programas.
A expectativa sobre o que poderá ser encontrado é grande, tanto do lado do PSDB e seus coligados, que detiveram o poder por 12 anos, quanto nas fileiras petistas e aliadas. Todos, independentemente da torcida que possam estar fazendo, e mais a população mineira terão de praticar um pouco de paciência. 
Os primeiros, é claro, afiançam que desvios não serão encontrados e que os resultados confirmarão sua total lisura administrativa. Já nas alas que conduziram Pimentel à função de governador a convicção vai no sentido inverso. É aguardar para ver.
Se os resultados obtidos seguirem os desacordos observados em levantamento feito pelo SINDIOF – Sindicato dos Servidores da Autarquia Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais – muita explicação será necessária. O levantamento do SINDIOF foi realizado antes da posse da atual administração, e comportou inclusive representação junto ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
Um caso relatado ao blog luizdomosaico.blogspot.com pelo presidente do sindicato, Denílson Matos, diz respeito aos cargos comissionados da Imprensa Oficial. Informou que a atualização de dados do SISAP (Sistema Eletrônico de Administração de Pessoal do Estado de Minas Gerais) é feita pela Imprensa Oficial. Acrescentou que as classificações e os valores recebidos pelos servidores comissionados, dados passados pela SEPLAG (Secretaria de Planejamento e Gestão), mostram muitas e até grandes disparidades em relação às informações constantes no Portal da Transparência, também alimentado com dados passados pela SEPLAG.
Conforme Denílson, o sindicato solicitou ao Diretor Geral da autarquia relatório completo de servidores contratados da MGS (empresa pública vinculada à SEPLAG), ocupantes de cargos técnicos, administrativos e comissionados, e a resposta foi que o pedido deveria ser endereçado ao Portal da Transparência. Listagem de servidores efetivos, de recrutamento amplo e limitado já havia sido solicitada à Secretaria de Planejamento e Gestão e fornecida.
 Estranhando a negativa do Diretor Geral, o sindicalista esclareceu: “O Portal não oferece relatórios, só consultas individuais. Teríamos que ter o enorme trabalho de consultar todas as nomeações desde 2003. Após ofício do SINDIOF à ex-titular da SEPLAG, Renata Vilhena, e determinação dela, a listagem foi passada pela diretoria geral ao sindicato, sendo as disparidades confirmadas. Há também casos de ocupantes de cargos comissionados que não constam no Portal da Transparência. Para piorar, dos 91 cargos comissionados 76 mostram clara diferença entre o que consta no Portal e o que está no relatório que recebemos”.
Disse mais: “Inicialmente o que provocou a consulta foi porque o SINDIOF quer um raio X da Imprensa Oficial no que diz respeito a todos os cargos, inclusive para subsidiar concurso que será realizado e cuja comissão tem a maioria de comissionados terceirizados, da MGS e nomeados. Não confiamos na comissão para fazer o levantamento, deveria ter maioria de efetivos. Outro motivo é a grande diferença salarial dos terceirizados da MGS e comissionados que não são da carreira em relação aos efetivos comissionados e os demais. Estudo do sindicato mostra que a média salarial dos comissionados da MGS é de R$ 3.676,00, e a dos efetivos comissionados é de R$ 1.538,00.”
Em ofício recente ao Ministério Público de Minas Gerais, com cópia para a Assembléia Legislativa, o SINDIOF solicitou celeridade na apuração de processos judiciais, instaurados em 2011 e 2013. O processo de 2011, promovido a partir de representação feita pela AJOSP (Associação dos Jornalistas do Serviço Público), diz respeito à contratação de empresa de tecnologia da informação por alto valor e sem licitação, a Módulo Security, do Rio de Janeiro, quando há empresas mineiras capacitadas que poderiam participar de uma disputa, argumentou Denílson, lembrando que o sindicato reiterou também junto ao MPMG pedido de investigação feito em agosto de 2014 sobre a relação da autarquia com a empresa Conbrás Engenharia Ltda.
Para o presidente sindical, formado em Artes Visuais pela UEMG e com pós-graduação em Administração Pública pela Fundação João Pinheiro, funcionário da Imprensa Oficial há 31 anos, os sindicatos, principalmente os ligados à área pública, devem participar de alguma forma do controle da gestão pública.


domingo, 4 de janeiro de 2015

COMBATE À CORRUPÇÃO: DILMA APOIA PROPOSTAS DO PL 21, DE AUTORIA DO EX-DEPUTADO PROTÓGENES QUEIROZ




O Projeto de Lei 21/2011 - PL 21/11 - de autoria do ex-deputado federal Delegado Protógenes Queiroz e que trata do combate à corrupção no setor público, recebeu claro apoio da presidenta Dilma Roussef em seu discurso de posse do segundo mandato. Dilma destacou os pontos que o fundamentam, como a rigorosa punição que ele propõe e a agilização de julgamentos pelo judiciário para todos os envolvidos nos crimes de corrupção, mesmo sem citá-lo nominalmente.

O PL 21 eleva penas para os crimes de corrupção - desvio de dinheiro público e peculato (crime de desvio promovido por funcionário público, em proveito próprio ou alheio) - para 12 a 30 anos de reclusão e obriga o poder judiciário a julgá-los com prioridade. São penas impostas a determinados crimes hediondos. Em havendo condenação, é claro que tem de haver a reintegração dos valores surrupiados, o que é plenamente possível. Já poderia, até mesmo, estar aprovado pelo Congresso, tramita em caráter de prioridade desde fevereiro de 2011 na Câmara Federal. 

Protógenes Queiroz é tido como um personagem heroico por vastos setores nacionais e promoveu a recuperação de bilhões de reais para os cofres públicos através de operações de que participou na Polícia Federal. Independentemente de simpatias partidárias ou ideológicas, ninguém no país suporta mais os desvios de dinheiro público, a não ser quem promove as pilhagens, é claro, e sua turma. 

No discurso, Dilma deixou claro seu apoio às formulações do PL 21:

"A luta que vimos empreendendo contra a corrupção, e principalmente contra a impunidade de corruptos e corruptores, ganhará ainda mais força com um pacote de medidas que me comprometo a submeter à apreciação do Congresso Nacional ainda no primeiro semestre.
São cinco medidas: transformar em crime e punir com rigor os agentes públicos que enriquecem sem justificativa ou não demonstrem a origem dos seus ganhos; modificar a legislação eleitoral para transformar em crime a prática de caixa 2; criar uma nova espécie de ação judicial que permita o confisco dos bens adquiridos de forma ilícita ou sem comprovação; alterar a legislação para agilizar o julgamento de processos envolvendo o desvio de recursos públicos; e criar uma nova estrutura no Poder Judiciário que dê maior agilidade e eficiência às investigações e processos movidos contra aqueles que possuem foro privilegiado."

Protesto contra a corrupção, em 2013
Se tem algo que joga por terra a autoestima de uma população inteira é o sentimento e a constatação da impunidade. Criando enorme frustração e desesperança, essa situação sempre agiu no sentido de também provocar e alimentar a prática da corrupção e de desvios éticos de uma forma geral, nas relações. E a memória autoritária brasileira sempre acentuou isso.

Em conversa com este blogueiro no ano passado, o então secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, manifestou claro apoio ao projeto, o que foi publicado pelo blog, e deu entrevistas no país neste sentido (Leia AQUI E AQUI). O secretário-geral do PMDB nacional, o deputado federal mineiro Mauro Lopes, também em entrevista ao blog deixou a afirmação de que o projeto será aprovado: "Nós vamos aprovar o projeto do Protógenes" (LEIA MAIS) Agora, com o apoio da presidenta Dilma às proposições do projeto proposto por Protógenes Queiroz, parece que o caminho para isso está inteiramente pavimentado. 

Em outro contato, com o arcebispo de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira Azevedo, a necessidade de sua aprovação foi colocada e lembrada a criação da "Frente Nacional pela Aprovação do PL 21", em 2011, contando inclusive com a participação da Arquidiocese de Belo Horizonte, entre várias outras instituições. (Leia AQUI)

O PL 21 ainda tem a seu favor, para inspirar manifestações favoráveis e agregar mais fortemente o apoio popular e institucional, o peso histórico do 21 de abril e de Tiradentes, e de tudo que a Inconfidência Mineira representa no imaginário nacional. A luta contra a corrupção no setor público pode ser associada à luta contra a sangria que era praticada, a derrama e o quinto que eram cobrados pela coroa portuguesa. Do 21 de abril ao PL 21.

Na mesma linha do projeto já vigora desde o dia 29 de janeiro de 2014 a lei 12.846/13, sancionada em agosto de 2013 pela presidenta Dilma e oriunda de Projeto de Lei enviado ao Congresso pelo presidente Lula em fevereiro de 2010, PL 6826/2010 (Acesse AQUI). Penaliza empresas pela prática de atos lesivos à administração pública brasileira ou estrangeira.

Além de sansões na área judicial, a empresa poderá pagar multa na área administrativa de até 20% do valor de seu faturamento anual bruto. Na impossibilidade de calcular o faturamento, poderá ser aplicada multa que vai de R$ 6 mil a R$ 60 milhões. Segundo o presidente da CGU, Valdir Simão, deverá ser regulamentada em breve. Acesse a lei AQUI.

A discussão e aprovação do PL 21, favorecem também a necessária reforma do judiciário e estimulam o debate sobre como o financiamento privado de campanhas - que é feito principalmente através de empresas - influencia no resultado eleitoral e origina em vastíssima medida atos de desvio de dinheiro público e favorecimentos, como forma de pagamento. Segundo o TRE-MG mais de 70% do financiamento de campanhas são patrocinados por empresas, chegando até a 100%.

A locomotiva da Reforma Política é o financiamento público de campanhas eleitorais. O PL 21 abre enorme janela para se discutir isso com a população. Sua aceitação - 98% -, verificada em enquete na internet e facilmente verificável em qualquer pesquisa feita junto à população, ou mesmo em conversas, quando apresentado, é um enorme facilitador no sentido de promover a compreensão popular sobre a necessidade do financiamento público.


Edição de junho/julho de 2011 do jornal da AJOSP
 (Associação dos Jornalistas do Serviço Público),
então presidida pelo jornalista Cláudio Vilaça, já falecido,
informando sobre o PL 21 e noticiando o
lançamento da Frente Nacional por sua aprovação
 Parece que agora, com o apoio presidencial declarado ao que ele propõe, poderá ter rápida aprovação, e até ser ampliado, no sentido da fala presidencial. Argumentos que o favorecem foram também indicados por Dilma, ainda no discurso: 


"Democratizar o poder significa combater energicamente a corrupção. A corrupção rouba o poder legítimo do povo. A corrupção ofende e humilha os trabalhadores, os empresários e os brasileiros honestos e de bem. A corrupção deve ser extirpada.
O Brasil sabe que jamais compactuei com qualquer ilícito ou malfeito. Meu governo foi o que mais apoiou o combate à corrupção, por meio da criação de leis mais severas, pela ação incisiva e livre de amarras dos órgãos de controle interno, pela autonomia da Polícia Federal como instituição de Estado, e pela independência sempre respeitada ao Ministério Público.
Os governos e a justiça estarão cumprindo os papéis que se espera deles se punirem exemplarmente os corruptos e corruptores."  


Para exercer maior controle sobre as possibilidades de desvio de dinheiro público e aumentar a apropriação por parte da da população de sua própria realidade, nada como o controle social do orçamento, em todos os níveis. Como política de estado, e não de um ou outro partido apenas.

Protógenes Queiroz não foi reeleito deputado federal, para espanto de muitos no Brasil. Um dos políticos mais acessados nas redes sociais, pesquisas pré-eleitorais o colocavam entre os candidatos com maiores chances de eleição em São Paulo. Em publicação no Twitter, alertou: "Ao povo brasileiro, a nossa eleição para Deputado Federal / SP houve fraude na urna eletrônica. As provas existem. Aguardem!" O caso está nas mãos do Ministério Público Federal. (Leia mais AQUI e em seu PERFIL no Facebook) 

Pouco após as eleições, em 21 de outubro Protógenes foi condenado pela Segunda Turma do STF, composta por três ministros entre os onze, sob a acusação de violação de sigilo profissional em relação à operação Satiagraha, e provas obtidas foram retiradas do processo por determinação do pleno dessa Turma, contra a argumentação do Ministério Público Federal. (Leia AQUI, AQUI e AQUI)

Abaixo-assinado endereçado ao STF pela anulação da sentença contra ele está postado no endereço http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/29991.   


Acesse o portal da ENCCLA - Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

SÃO ELES OS LÍDERES?



Uma revista mineira, Encontro, em sua edição de novembro expôs na capa as fotos de sete políticos das Alterosas e declarou: “As novas lideranças”. Sem discutir sobre o que é ser líder, anunciou na matéria que são pessoas com menos de 50 anos que devem ocupar posições de destaque na política mineira. E isso não é exercer liderança. No caso em pauta, talvez não haja mesmo diferenciações relevantes, e a sociedade de consumo sabe bem como criar seus produtos.

O blog luizdomosaico.blogspot.com entrevistou o arcebispo belorizontino, dom Walmor Oliveira, um líder religioso, sobre o papel da liderança. Outro entrevistado foi o ex-religioso dominicano Frei Betto. Coordenador de Mobilização Social do programa Fome Zero no governo Lula, tem notória e premiada atuação em defesa dos direitos humanos e dos movimentos populares. Entrevistamos também o lendário líder das vilas e favelas de Belo Horizonte, e muito mais, Vicente Gonçalves, o Vicentão.

Num sentido político e social, falar em liderança sem buscar esse significado, a vida e o sentimento que há por trás disso, sem fazer aflorar pelo menos algumas características que lhe dão sustentação é reduzir o líder e principalmente tudo que ele possa representar. Como encaixá-lo na imagem de um time de futebol num campeonato, o time que tem mais pontos.

Não se pode deixar de buscar, por exemplo, as motivações do pretendente a líder, o seu discernimento e clareza sobre as questões e desafios de interesse coletivo e seu compromisso em relação a isso, sua capacidade de desprendimento, humildade e respeito no trato dessas questões, sempre necessários quando há outras pessoas implicadas no que fazemos. Principalmente quando entre essas pessoas há uma enormidade de destituídos, vilipendiados e agredidos vida afora, que necessitam resgatar ou ver surgir fortemente sua autoestima.

Isso ajuda a definir a sinceridade dos atos de possíveis líderes, que não devem ser atos gratuitos ou ditados pelos interesses de poucos, e no campo político comprometidos com as causas da transformação social e da depuração dos sentimentos de cada cidadão, propiciando a melhor construção e elevação do espírito humano através das relações vivenciadas, nossos atos cotidianos.

Liderar é mais que dirigir um processo, mas implica em sensibilidade, generosidade e despojamento para ajudar a conduzir esse processo. Numa busca maior, um líder não pode ter atitudes passivas diante da realidade, mas posturas firmes dadas pela razão e reconhecidas pelo sentimento, não autoritárias. Um líder verdadeiramente humanista não quer tornar as pessoas subalternas, mas participar da formação de seres para a liberdade, igualdade de direitos e oportunidades e solidariedade. A seguir, as entrevistas:


















DOM WALMOR – “Um líder socialmente colocado é aquele que tem uma visão clarividente da realidade, das necessidades, das prioridades, sobretudo a partir daqueles que necessitam mais, levando sempre em conta nas suas escolhas e nos serviços que ele presta os valores humanos, os valores que relevam a cultura e que garantem a cidadania o equilíbrio que ela precisa.” 






 VICENTÃO – “Um líder é alguém capaz de sentir compaixão, de compreender o meio em que está, ele se faz num meio necessitado de algo e torna-se líder pelo trabalho e pelo amor que tem pela causa que defende. Principalmente quando nasce em um meio pobre, pois não tem dinheiro nem poder para impor. Este é o líder natural. O sentido da liderança hoje está deturpado, falam que é no comércio, na empresa e não é nada disso. Agora, o camarada que tem dinheiro e que diz que faz tudo isso não é liderança. Então não podemos confundir o verdadeiro líder com liderança dada pelo poder do dinheiro, o que vemos ocorrer, por exemplo, em empresas onde a hierarquia é um conjunto decrescente de poder. O verdadeiro líder, o poder que ele tem é a luta e a compreensão do povo, o povo é que elege ele líder. Não há liderança sem humildade, sem respeito. E quem de alguma forma não abraça a causa do necessitado, do desgraçado, não é líder.”






FREI BETTO – “A meu ver o líder é um educador, um pedagogo. Pedagogo é uma palavra que vem do grego que significa “aquele que ajuda a percorrer o caminho”. Esse é o verdadeiro líder, não é aquele que se impõe sobre os outros, mas aquele que abre os olhos e os horizontes das pessoas fazendo com que elas olhem não para ele, líder, mas para os ideais que ele representa, que ele proclama, que ele ressignifica e que ele aponta. Então, ideais de solidariedade, de altruísmo, de serviço, de amor, de compaixão. Esse é o verdadeiro líder.”




terça-feira, 21 de outubro de 2014

VICENTÃO, O DEFENSOR DAS FAVELAS, APOIA DILMA



O lendário militante político mineiro, das causas sociais e defensor das vilas e favelas Vicente Gonçalves, o Vicentão, hoje com 83 anos e ainda atuante, é um forte apoiador da campanha da presidenta Dilma Roussef à reeleição. Na luta social desde 1944, foi perseguido e preso pela ditadura, além de ter sido preso mais de 40 vezes defendendo as favelas e seus moradores. É hoje presidente da Associação dos Perseguidos Políticos do Brasil (Asperpb). Quando do golpe militar em 64, seu nome figurava na cabeça da lista mineira para ser eliminado.

Em 1952 criou a Federação dos trabalhadores favelados de Belo Horizonte, juntamente com o professor Edgard da Mata Machado e outros. Em 1962 foi um dos principais nomes na criação da UTP – União dos Trabalhadores da Periferia -, quando promoveu a ocupação da região da Cabana Pai Tomás, Vista Alegre, João XXIII e mais, além de inúmeras outras atividades desenvolvidas. Já na década de 70, foi o principal articulador do projeto que resultou no Pró-favela, aprovado mais tarde pelo governador Hélio Garcia.

Gosta de lembrar inclusive que fez constar no programa que os títulos de propriedade das casas fossem passados em nome das mulheres, “mais responsáveis que os homens”, fala rindo. Isso, mais tarde, foi repetido em outros programas sociais até nacionais. Na criação do PT, foi fundamental sua participação, levando moradores da periferia, de vilas e favelas para reforçar a luta política no partido que surgia.


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

OBRAS FANTASMAS DO GOVERNO AÉCIO ASSOMBRAM MINAS




E agora, no espetáculo, mais uma obra inexistente do governo Aécio Neves. Informação de panfleto eleitoral distribuído por sua campanha em 2010, garante que seu governo fez a canalização e urbanização da 'Avenida Sanitária' em conjunto com a prefeitura do município de Itabira, ao custo de R$ 8,2 milhões para os cofres estaduais. Até hoje a população da cidade procura a tal e inexistente avenida.

Em 2010 o jornal Mosaico fez a primeira denúncia sobre o caso dos aecioportos, envolvendo o então governador mineiro, pois o mesmo documento informou que seu governo gastou R$ 5 milhões em melhorias no aeroporto da cidade de Itabira (Leia aqui). Só que no município não existe o tal aeródromo, e até hoje não foi explicado onde foi parar o dinheiro. Esta informação foi publicada novamente há pouco tempo neste blog e amplamente divulgada no país.

Outra informação dada é que foi construída uma estação de tratamento de esgotos para atender a demanda dos distritos itabiranos de Carmo e Ipoema, sendo apresentada foto de uma obra portentosa. Mas tal obra também não existe, e ainda não se sabe onde foi parar o milionário numerário. Da mesma forma este caso foi objeto de post no blog. (Leia aqui)

Tudo isso, e talvez mais, num único município mineiro. Minas possui 853 municípios. Não dá nem pra prever quantas obras fantasmas do governo Aécio podem estar assombrando os moradores do estado. Cruz credo!!!

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

URNAS ELETRÔNICAS SÃO CONFIÁVEIS?



Tem causado muita estranheza, já a partir de domingo, a votação obtida por alguns candidatos nas eleições, Em Minas, na eleição proporcional, os casos do cigano Carlos Rezende, candidato a deputado estadual e de Cida Vieira, candidata a deputada federal, e o do famoso delegado Protógenes Queiroz, em São Paulo, candidato à reeleição como deputado federal. Todos eles filiados ao PCdoB. Os três casos merecem destaque e já têm causado perplexidade.

Carlos Rezende é presidente da AGK - Associação Guiemos Kalons de Minas Gerais, conselheiro nacional de Educação e líder e lutador social surgido das lutas pela afirmação de seu segmento. Teve grande exposição a partir de 2013 e principalmente na Primeira Semana Nacional dos Povos Ciganos, realizada em maio de 2014 em Brasília. É morador do acampamento cigano existente na zona nordeste de Belo Horizonte, no bairro São Gabriel. Em Minas há cerca de cem mil ciganos e mais de 400 mil pessoas de raiz cigana, conforme dados do governo federal através da Seppir - Secretaria de Promoção de Políticas da Igualdade racial.

Bastante conhecido e respeitado entre os ciganos mineiros e no país, o mesmo ocorrendo em ambientes universitários e de secretarias nos planos municipal, estadual e federal, Carlos Rezende foi peça fundamental para unir os ciganos mineiros em torno de uma candidatura no estado. Os ciganos, segmento social que ainda é muito discriminado, quer emergir e deu total amparo à sua candidatura.

Na campanha, Carlos Rezende viajou por todo o estado, além de ter sido muito exposto nas redes sociais. Sua candidatura teve ainda o apoio de comunidades indígenas e quilombolas. Em evento de campanha em Belo Horizonte, a ministra da Cultura Marta Suplicy citou em seu discurso os povos ciganos. Apesar disso, os números oficiais deram a ele irrisórios 892 votos no estado, número que ele obteria apenas na região do acampamento, já se comenta.



Carlos Rezende, o terceiro de cima para baixo,
 na colocação 468 com 862 votos
Já Cida Vieira é presidente da Aprosmig - Associação das Prostitutas de Minas Gerais -, conselheira nacional contra o tráfico de pessoas, conhecida lutadora contra a violência sexual contra crianças e adolescentes além de participante ativa na luta contra a violência cometida contra mulheres. Muito exposta na mídia, Cida também viajou pelo estado durante a campanha em contatos eleitorais e também tem ampla base. 

Cida obteve oficialmente apenas e minguados 740 votos. Como no caso do cigano, já se comenta que esse número ela teria apenas em poucos quarteirões na região onde fica a Aprosmig, na tradicional rua Guaicurus em Belo Horizonte, famosa pelos prostíbulos e pela lendária personagem Hilda Furacão.




Cida Vieira, a segunda de cima para baixo,
na colocação 356 com 740 votos
Matéria publicada pelo blog luizdomosaico.blogspot.com sobre a candidatura cigana foi amplamente divulgada nas redes sociais. Além disso, pessoas que apoiaram a campanha de Cida Vieira e de Carlos Rezende, principalmente em Belo Horizonte, xerocaram e divulgaram fartamente a matéria, com fotos dos candidatos anexadas a ela além de texto com o apoio aos dois do lendário e respeitadíssimo líder mineiro defensor das vilas e favelas e lutador político e social Vicente Gonçalves, o Vicentão. Em vilas e favelas belorizontinas o material foi muito divulgado, além de em outros lugares, com grande aceitação, até porque foram duas candidaturas diferentes, ímpares.

Matéria do blog,
amplamente distribuída (frente)



                                                               
                                                                     Matéria do blog,
                                                      amplamente distribuída (verso)








Quanto ao delegado Protógenes Queiroz, tem causado muita estranheza e enorme perplexidade a baixa votação que teve nesta eleição, mais ainda que na anterior, já que teve segundo o TSE quase quatro vezes menos o número oficial de votos que o elegeram em 2010, ou seja 27.978 contra 94.906. Em 2010 Protógenes Queiroz, que foi chefe do Setor de Inteligência da Polícia Federal, habitava quase diariamente a mídia nacional, devido à operação Satiagraha, comandada por ele e que foi a maior operação já desenvolvida na história pela Polícia federal.

Se isso lhe trouxe aversão de certos segmentos, trouxe por outro lado profunda admiração dos setores populares. Protógenes foi responsável por repatriar para os cofres federais mais de R$ 5 bilhões, através de operações das quais participou.

Nas duas eleições, em pesquisas feitas pela mídia paulista para deputado federal, inclusive pelo Datafolha, seu nome apareceu entre os mais cotados, com maiores índices. É bom lembrar que pesquisas para cargos proporcionais (deputados e vereadores) são diferentes daquelas feitas para cargos majoritários (presidente, governador, senador e prefeito). Isso porque o número de candidatos é muito grande e não se obtém a mesma aproximação, aparecem nelas com predominância apenas os nomes mais cotados, quando realizadas criteriosamente.



Protógenes Queiroz, o segundo de cima para baixo,
 na colocação 143 com 27.978 votos
Como deputado, é o autor do projeto de lei 21 de 2010 - PL 21 -, protocolado como prioritário na Câmara Federal e que praticamente transforma o crime de corrupção - desvio de dinheiro público e peculato - em hediondo, já que define penas de 12 a 30 anos para sua prática, além de obrigar o poder judiciário a julgar com prioridade os processos relativos a eles. Já deveria, inclusive, ter sido votado, até antes das eleições - e aprovado - pelo Congresso, atendendo aos reclamos da população. E, obviamente, em havendo condenação que seja feita a retomada dos valores pilhados, o que é plenamente possível.

O PL 21 foi amplamente popularizado no país, a partir de 2013, através de posts do blog luizdomosaico.blogspot.com publicados nas redes sociais e impressos distribuídos e de sua ampla divulgação nos movimentos sociais e políticos, tornando o nome de Protógenes Queiroz muito mais propagado. Além de ainda mais respeitado por causa da autoria, mesmo por pessoas que possam não ser eleitores seus.

Afinal, independentemente de simpatias partidárias ou ideológicas, ninguém no país suporta mais o desvio de dinheiro público, a não ser quem promove os desvios e sua turma, é claro, e Protógenes é visto como personagem heroico em vastos setores nacionais. O próprio secretário geral da presidência da República, o ministro Gilberto Carvalho, passou a dar entrevistas no país colocando a aprovação do PL 21 como necessária, em caráter prioritário, e afirmou isso em conversa com este blogueiro, já publicada.

Já no domingo este blogueiro manteve contatos neste sentido, e na segunda e terça-feiras conversas foram desenvolvidas no comitê do candidato ao governo mineiro Fernando Pimentel e da presidenta Dilma, uma vez que Carlos Rezende e Cida Vieira foram candidatos por partido apoiador das campanhas dos dois, como no caso de Protógenes Queiroz, também contatado, além do tema ter sido objeto de conversas ainda nas sedes estaduais do PCdoB e do PT em Belo Horizonte e com outros candidatos da mesma campanha, além de diversas outras pessoas. Informações indicam que os casos, e outros, foram comunicados à Presidência da República, estando membros da Polícia Federal e da Polícia Civil mineira também já informados. As duas corporações tiveram profissionais seus candidatos nestas eleições, além de outros da Polícia militar e do Corpo de Bombeiros.

Matéria publicada pelo site www.folhapolitica.org, em 2013

Matéria publicada pelo site www.folhapolitica.org, em 2013